Temer!

Temer será candidato

Ontem, em entrevista ao jornalista Amaury Jr, Michel Temer declarou que não será candidato a presidente em 2018. Acreditam? Acreditem!

Analisando a situação atual e a estupenda rejeição ao atual presidente, soa incoerente que ele se candidate, mas, não se iludam, ser candidato é antes de tudo uma questão de sobrevivência. O congresso rejeitou por duas vezes o aceite às denúncias que envolvem o nome de Michel Temer. Isto não significou que foi inocentado, apenas, que qualquer processo que o envolva, não pode prosperar enquanto estiver no mandato. Um dia após o fim do mandato, o processo volta a tramitar. Há evidências contundentes contra ele e mesmo que ao final seja inocentado, o desgaste pessoal e político é enorme. Ser candidato passa a ser uma opção.

Será viável a candidatura de Temer?

Ele mesmo condicionou a viabilidade da candidatura à aprovação da reforma da previdência que, segundo recentes declarações do presidente da câmara federal, Rodrigo Maia, se a votação não ocorrer em fevereiro, não será votada este ano. Votar tema dessa natureza no mês mais curto do ano, com três semanas, excluindo a semana do carnaval, é acreditar em duende.

Então Temer não será candidato?

O PMDB é uma confederação de diretórios estaduais, cada um com identidade e vida própria. Não gera líderes nacionais, mas tem forte presença nos estados e municípios. Afinal, em 2016 foram eleitos 7.551 vereadores, 1.028 prefeitos no país sendo 14 prefeitos de capitais. É uma força enorme, mas desarticulada. As lideranças estaduais impedem que de outro estado surja uma liderança nacional. Hoje Temer é um nome nacional, mas desgastado que não vai se recuperar. Ao partido MDB, nova denominação, cabe apoiar mais uma vez o candidato com maior visibilidade, propondo um candidato a vice ou propondo um acordo para compor a base de sustentação no congresso em troca de alguns ministérios e dezenas, centenas de cargos no segundo e terceiros escalões.

Se eu fosse uma pessoa próxima de Michel Temer, sugeriria, escolher um candidato viável para apoiar, e utilizar o ano para, junto com advogados, construir uma consistente argumentação para a defesa dos indiciamentos que virão.

O que sobra de Temer então?

Para o bem ou para o mal, é o presidente das reformas, que mudou o país de alguma forma. Impopular, tomou as medidas impopulares necessárias e será lembrado por isso. Além disso, há algo muito importante. Foi fiel depositário e responsável pela montagem de uma brilhante equipe econômica que recolocou o país no caminho do crescimento organizado, além de recuperar a Petrobrás.

O que vemos atualmente, jamais aconteceu antes. A separação entre economia e política. A política continua aos solavancos, mas a economia segue suave.

Michel Temer. Seu lugar na história já está reservado.