Saliva, sola de sapato e rancor.

Hoje é dia 24/02/2018 e são 8:05. É dia do julgamento de Lula que será daqui há pouco.

Esse post é sobre ele?

NÃO! Esse post é sobre a campanha eleitoral de 2018. Claro, ele pode ou não participar diretamente em função do resultado do julgamento de hoje. Pode ou não participar indiretamente dependendo da condenação e se estiver ou não na cadeia.

No entanto, os protagonistas dessas eleições serão, conforme já anunciado acima, a saliva, a sola de sapato e o rancor.

Como assim?

Divulgados os tetos de gastos para cada tipo cargo a ser preenchido, Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador, Governador e Presidente da República, o que se vê é que a falta de dinheiro devido a crise financeira pessoal, o medo de doar e os tetos. No maior estado da federação, os tetos são:

Deputado Estadual – R$ 1.000.000,00 (independente da UF)

Deputado Federal – R$ 2.500.000.00 (independente da UF)

Senador – R$ 2.500.000,00 a R$ 5.600.000,00 (dependendo da UF)

Governador – R$ 2.800.000,00 a R$ 21.000.000,00 (dependendo da UF)

Presidente – R$ 70.000.000,00 (no 1º turno e o mesmo valor para o 2º turno)

Quem como eu convive nesse universo sabe que os valores são tímidos. É difícil eleger um deputado estadual ou federal dentro dos limites propostos. Haverá candidatos tentados a recorrer ao famigerado caixa 2. Problema deles.

Como gastar essa verba?

Não dá! A velha modalidade dos santinhos, banner, perfurex, casa-a-casa custa caro. Consome a maior parte da verba. É uma prática que com os limites impostos torna inviável. Se considerarmos a contratação de mão de obra para panfletagem, gasolina, aluguel de comitê, gráfica e correio para a tradicional remessa de cartas com material há poucas semanas da votação, etc. a conta não fecha mesmo. Há! Não se pode esquecer da tecnologia, sites/blogs, redes sociais, impulsionamento, etc.

Há alguns macetes, entre eles está a dobrada, ou seja, um candidato a deputado estadual se junta a um deputado federal em determinado município ou região e aquele que tiver um limite de verba maior, assume o gasto. O mesmo vale para as dobradas com candidatos a Senador e Governador ou Presidente. Nesse trabalho, um se beneficia do eleitorado do outro e os limites de gasto se tornam flexíveis. Bom. Isso funciona apenas com dobradas entre candidatos com potencial de votos. Os candidatos novatos ou não avaliados pelo eleitorado vão ter dificuldade de arrecadação e consequentemente de competir.

Essa pode ser a eleição com a menor taxa de renovação em alguns lugares.

Válido para qualquer candidato, a estratégia para essa campanha é gastar saliva, ou seja, em qualquer lugar real ou virtual, discursar, propor, falar sobre si e suas ideias. Gastar sola de sapato, ou seja, fazer caminhadas diárias em cada recanto que seja ou venha a ser seu reduto eleitoral levando sua mensagem a todo o lugar.

E o rancor?

O rancor é o elemento surpresa ou surpreendente. Desde que as esquerdas se corromperam sem conseguir implantar seus métodos de poder, partiram para a violência verbal ou factual, em outras palavras, chamando todo mundo para a briga. O tom psicológico dessa campanha será o rancor, o revanchismo, mas, serão eleitos os moderados, os centrados, os que propõe paz ou invés da guerra.

Esta é a razão pela qual esse post está sendo escrito justamente hoje e nesse horário.